A nova regulamentação e os fertilizantes de libertação controlada (CRFs)

Em 2018, possivelmente, já teremos um novo Regulamento Europeu de Fertilizantes na UE. Este novo regulamento tem sido objeto de análise e debate em diversos encontros e seminários de duas associações das quais fazemos parte:

Caso tenha interesse em aprofundar o tema, recomendamos a leitura da entrevista realizada pela Revista Tierras a Victoria Cadahía Bielza Diretora Técnica da Associação Espanhola de Fabricantes de Agronutrientes.

Desde o COMPO Expert que nos queremos unir nesta análise e aprofundar no segmento de fertilizantes que irá ser afetado por este novo regulamento: Os Fertilizantes de Libertação Controlada (CRFs).

Mas vamos começar pelo princípio… 


O que são os Fertilizantes de Libertação Controlada?

Os Fertilizantes de Libertação Controlada (CRFs), de acordo com as normas da CE, são fertilizantes minerais granulados; solúveis em água e envoltos por um polímero elástico que serve de barreira. 

Este revestimento permite que haja uma libertação controlada dos nutrientes, podendo ir de 2 a 16 meses, dependendo das propriedades de barreira do polímero. Após a libertação dos nutrientes, os fragmentos dos revestimentos vão-se degradando lentamente sem deixar vestígios no solo.


Como funcionam os Fertilizantes de Libertação Controlada?

De forma resumida, o modo de ação destes fertilizantes é o seguinte:

1.    Os CRFs distribuem-se pelas culturas em forma de grânulos

2.    A água penetra no grânulo através do revestimento

3.    A água dissolve o nutriente vegetal criando uma pressão osmótica sobre a parede do revestimento

4.    Devido à pressão criada, o nutriente é libertado lentamente no solo, onde é utilizado pela planta, promovendo o seu crescimento

5.    Após a libertação do fertilizante, o revestimento vai-se degradando gradualmente, dependendo das condições do solo e clima.


Como é que os Fertilizantes de Libertação Controlada contribuem para a agricultura e viveirismo?

Devido às suas características e forma de atuação, os CRFs permitem substituir o uso de fertilizantes menos eficientes, alinhando-se com os tratados e protocolos ambientais que se exigem nos dias de hoje (redução da contaminação de aquíferos por nitratos e redução da volatilização e emissão de gases de efeito de estufa).

Além disto ainda permite reduzir o uso da quantidade de fertilizante a usar até 30-60%, dependendo das condições climáticas e do tipo de solo, devido à sua eficiência de utilização do nutriente vegetal.

Um fator importante para optar por estes fertilizantes na agricultura de regadio é a redução da lixiviação (até 80%), uma vez que a água dos rios, chuva e do solo só arrasta os nutrientes que estão fora dos grânulos. Desta forma, comprovou-se que se reduz a volatilização da ureia, já que esta se encontra protegida pelo polímero.

Como ponto adicional, a libertação controlada de nutrientes permite sincronizar a disponibilização do fertilizante com as necessidades do ciclo em que se encontram as culturas, com apenas uma aplicação.

Para terminar, nas práticas onde é necessário que o fertilizante permaneça por mais de 1 mês;

·         tipo de incorporação do fertilizante: na cova da plantação com raiz nua ou torrão;

·         culturas sensíveis à salinidade;

·         solos ligeiros com alta lixiviação de nutrientes;

Proporciona uma vantagem inquestionável: O FERTILIZANTE DE REFERÊNCIA, COM A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA DISPONIBILIZAÇÃO DE NUTRIENTES. 


Quais os sectores que beneficiam com os Fertilizantes de Libertação Controlada?

Os setores que mais beneficiam, e portanto que podem reabastecer-se de qualquer fertilizante revestido devido ao regulamento proposto, são:

·         Produtores de Plantas Ornamentais

·         Áreas verdes e Jardins (Paisagistas)

·         Produtores de Hortícolas e Frutas, Vinha, Frutos vermelhos, etc

·         Produtores de substratos

Estes sectores serão muito prejudicados caso não seja permitida a utilização dos fertilizantes que usam atualmente, e que já são utilizados há décadas ao nível global.

Recordamos que estamos a falar de um sector que, só na União Europeia gera um valor de mais de € 7 bilhões, empregando 130.000 pessoas em 25.000 viveiros.


Os CRFs antes da nova regulamentação?

A Comissão Europeia com o seu Projeto de Regulamento de Fertilizantes propõe que 3 anos depois da aprovação do mesmo, os Fertilizantes Revestidos (CFRs) deverão cumprir os requisitos muito específicos sobre a biodegradabilidade, referidos no Anexo II CMC10, que resumimos de seguida

 

Período de degradação do revestimento (90%) utilizado nos CRFs de 1 ano (na melhor estimativa).

 

Um requisito que responde em grande parte à gestão do plástico no campo, principalmente o que é usado em materiais de cobertura e proteção… Sem ter em conta as particularidades dos polímeros utilizados no CRFs. Esta medida não permite atualmente adaptar as tecnologias dos revestimentos com a garantia de cumprir a função de cápsula e a sua libertação controlada com a longevidade necessária.

A consequência mais imediata leva a que os novos materiais e técnicas utilizadas não se adaptem nesse período de tempo, deixando os Fertilizantes de Libertação Controlada numa situação de total proibição para a agricultura na UE. E como mencionado anteriormente, estes sectores na UE correm um grave risco, competindo em condições de desigualdade ao nível internacional.


A nossa petição para a Comissão Europeia

Desde COMPO Expert, com o apoio da Fertilizers Europe representada pelos fabricantes de fertilizantes revestidos (ICL, HAIFA, PLANTACOTE y COMPO EXPERT) solicitámos seguinte à UE:


·         Realizar uma avaliação de impacto sobre as medidas propostas para os polímeros biodegradáveis

·         Adaptar os métodos de ensaio antes da adoção dos critérios de degradação;

·         Tempo para realizar as provas de degradação requeridas na nova regulamentação;

·         Estabelecer critérios e normas comuns para toda a indústria.

Em suma, estimamos que serão necessários 5 anos para estabelecer critérios, realizar provas e desenvolver novas tecnologias que se adaptem a esta nova regulamentação se não queremos que um dos sectores mais competitivos da agricultura perca a sua posição a nível mundial, a favor de outros mercados fora do espaço comunitário.


Convidamos os produtores e associações a juntar-se a estas alegações. Os interessados em solicitar mais informação ou documentos relacionados, podem enviar um mail a compoexpert@compo-expert.com ou contactar pelo número 931 426 906.